O vídeo de "Eu não quero voltar sozinho" tem mais de 2 milhões e 120 mil visualizações em sua versão original publicada no YouTube. O diretor que recebeu diversos prêmios pelo primeiro trabalho, entre eles o Urso de Cristal de Melhor Curta-Metragem no Festival de Berlim, já tinha a ideia do longa na cabeça quando escreveu o roteiro do seu último trabalho.
Clique na imagem abaixo para assistir ao filme:
Imagem de divulgação do curta 'Eu não quero voltar sozinho' | Foto: Divulgação
"Estou trabalhando em uma versão estendida do curta. Minha intenção sempre foi fazer o longa; o curta serviu para experimentar a linguagem. O mais importante é que acabou por ser construída uma base de pessoas que já conhecem e querem ver o filme. O poder da Internet é essencial para o cinema", afirmou Ribeiro.
Discussão da homossexualidade
Desde a estreia no 3º Festival Paulínia de Cinema, "Eu Não Quero Voltar Sozinho" foi exibido em mais de 100 festivais onde recebeu 82 prêmios, como o de Melhor Curta Metragem, na votação do Júri Popular, no Festival Rio Gay. O atual momento político no país, com a escolha do deputado religioso - e polêmico - Marco Feliciano (PSC) para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara e toda a reação da sociedade diante disto torna ainda mais conveniente a discussão proposta pelo filme.
O curta de sucesso aborda a vida de Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego que vivencia uma grande mudança com a chegada de um novo aluno em sua escola, o Gabriel (Fabio Audi). Ao mesmo tempo, ele tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana (Tess Amorim) e entender os sentimentos despertados pelo amigo.
"Minha intenção sempre foi falar sobre a homossexualidade de forma natural. Não defendo nenhuma bandeira de forma explícita, mas não deixo de estar envolvido com a questão (do ativismo homossexual). Ao retratar temas que são tabus, você acaba alcançando o preconceituoso. O cinema tem o poder de dialogar", acredita Daniel, que complementa:
"O foco dos meus filmes não é o sexo. O objetivo é apontar para o amor como um todo, deixando a questão sexual um pouco de lado. Quando fiz 'Café', acredito que estávamos em uma fase melhor com relação à discriminação; digamos que o preconceito estava 'no armário'. Com as eleições de 2010, parece que o tema voltou com tudo e os preconceituosos 'saíram do armário'", relembra.
Quadrinho publicado no Facebook é creditado ao JPEG Tiras | Foto: Reprodução Internet
Em 2011, o curta foi protagonista de uma polêmica no Acre. Incluído no programa Cine Educação, em parceria com a Mostra Latino-Americana de Cinema e Direitos Humanos, o filme foi selecionado por uma professora e exibido em sala de aula. Um grupo de alunos confundiu o trabalho com o kit anti-homofobia e levou o caso a religiosos locais.
Estes resolveram acionar os políticos da região exigindo a interrupção do exibição do curta para os jovens do Acre. Após isto, além da censura ao curta, o programa Cine Educação foi inteiramente proibido no estado.
Em carta divulgada no site do filme, os produtores desabafaram: "Mais uma vez no Brasil, a educação perde a batalha contra o poder assustador das bancadas religiosas e conservadoras".
A eficácia da divulgação online
O início da história do YouTube está associado aos vídeos bizarros e amadores. No entanto, o perfil do site mudou e os trabalhos profissionais tomaram conta deste espaço. O YouTube se tornou uma das formas mais eficientes de divulgação para o cinema independente de todos os países e os brasileiros estão desbravando este espaço.
Diretor Daniel Ribeiro com o mascote de 'Todas as coisas mais simples', corujinha que está no uniforme dos protagonistas | Foto: Divulgação
Já em seu primeiro ano de publicação no site, "Eu não quero voltar sozinho" alcançou 1 milhão de visualizações. Além do YouTube, Daniel sempre foi usuário das redes sociais e soube usá-las com habilidade para divulgar seu trabalho. Na página do Facebook do curta, são quase 32 mil pessoas que interagem com o conteúdo publicado.
"Sempre fui ligado às redes sociais. Em 2007, eu criei um projeto chamado Música de Bolso, no qual eram feitos clipes musicais em lugares inusitados. Somos eu e a produtora (Diana Almeida) que atualizamos todas as páginas do filme. É importante usar todas as ferramentas possíveis de divulgação", opinou.
A previsão de lançamento de "Todas as coisas mais simples" é no circuito de festivais do início de 2014.
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fonte: http://odia.ig.com.br/
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