Miguel Dias, um dos quatro directores do Curtas. Foto: DR
Festival de cinema de Vila do Conde arranca sábado e destaca filmografia de Bill Morrison, "meditação sobre a passagem do tempo", diz o director Miguel Dias.
O 21.º Curtas Vila do Conde arranca sábado, às 21h00, com "In The Fog", do cineasta bielorrusso Sergei Loznitsa. A sessão de abertura acontece no teatro municipal local, palco principal do festival, que se estenderá por outros locais da cidade, como a Galeria Solar, onde está patente a exposição "Film".
Até 14 de Julho, o festival das curtas apresenta quatro longas – todas em ante-estreia nacional – recuperando quatro cineastas que já exibiram as suas curtas-metragens no festival: Sergei Loznitsa, Basil da Cunha, Yann Gonzalez e Antonin Peretjatko. João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, Gonçalo Tocha, André Tentugal e Felipe Bragança e Helvécio Marins Jr. também mostram novas produções, feitas no âmbito do programa "Estaleiro", do Curtas.
"O festival mantém a mesma estrutura dos anos anteriores", diz, em entrevista à Renascença, Miguel Dias, um dos directores. "Não era preciso mudar nada."
Depois da edição especial do 20.º aniversário, podemos dizer que o Curtas tem um modelo de sucesso?
Tem um modelo encontrado. As novidades vão aparecendo quando é preciso mudar alguma coisa. Neste momento não era preciso mudar nada, o festival mantém a mesma estrutura. Mas há uma novidade: todos os filmes são apresentados em estreia nacional, quando não estreia absoluta a nível internacional.
O realizador em destaque é Bill Morrison. Como o definiria?
É alguém que trabalha dentro de uma linha que o festival tem várias vezes mostrado: o cinema experimental menos narrativo. É um realizador que trabalha sobretudo com "found footage", material encontrado, pré-existente, filmes de arquivo. Uma característica que os seus filmes apresentam, pelo menos os seus filmes mais conhecidos, é trabalharem a partir da degradação da película. Tira partido dessa degradação para fazer uma meditação sobre a passagem do tempo. As imagens ficam com uma aura ainda mais fantasmática do que aquela que já têm.
A película é também fixação da exposição "Film"…
Como a palavra diz, vai, em plena era digital, procurar autores que ainda trabalham em película, quando a película vai desaparecendo cada vez mais. Basta ver que no festival temos, distribuída pelas várias competições, meia-dúzia de filmes em película. Há coisas que é fundamental fazer com este material e que com o digital nunca se obteria o mesmo efeito. É um bocado como a pintura a óleo: apesar de terem sido inventadas outras técnicas depois dessa, ela tem uma particularidade que as outras não conseguem imitar.
Há 17 filmes na competição nacional. É um bom número?
São mais ou menos os mesmos que no ano anterior...
Mas isso depois de um ano quase sem apoios para o cinema português…
O facto de termos o mesmo número de filmes que tivemos no ano passado não quer dizer que o apoio à arte cinematográfica não seja necessário. Se não apoiarmos a arte cinematográfica, o nosso cenário audiovisual vai ficar reduzido a uma série de produtos apenas comerciais, mas nunca são esses que nos representam com algum prestígio no exterior ou que são vendidos para distribuição noutros países.
E esse prestígio internacional foi particularmente visível em 2012, com os sucessos de Miguel Gomes e João Salaviza.
Ainda bem que foi assim. Foi uma chamada de atenção para as pessoas que decidem e, porventura, terá ajudado a retomar esse caminho, embora ainda com algumas incertezas.
O Curtas também contribuiu apoiando, com o "Estaleiro", a produção de filmes.
São feitos com realizadores portugueses. Têm várias condicionantes: orçamentos reduzidos, trabalhar com equipas de estudantes de audiovisual do Porto e do Norte, devem ser filmes que tratem de temas da nossa região. O cinema português está muito centralizado em Lisboa, a nossa zona não costuma ser muito retratada. O que vamos mostrar no festival são as últimas quatro produções saídas dessa série, é uma estreia absoluta.
O Estaleiro dá também bons sinais do "cluster" audiovisual do Porto?
Sobretudo ao nível dos cursos de audiovisuais. Estão a trabalhar bem, estão bem equipados e formam pessoas bastante competentes. Não é só aí que vemos essa tendência: temos também a secção "Take One!", dedicada às produções de âmbito de escola e na qual vemos excelentes produções.
Que filmes tem mais curiosidade para ver este ano no Curtas?
Gostava muito de destacar uma longa-metragem de um realizador francês chamado Antonin Peretjatko, "La Fille du 14 Juillet", que é um momento de muito humor, um filme que fala de uma forma bastante divertida e descomplexada da política e da crise dos nossos dias.
fonte: http://rr.sapo.pt/
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